Tuesday, October 14, 2008

TESTEMUNHA DO TEMPO

Alto astral na redação da Imprensa Editorial. A vinda dos ETs nesta noite é um dos assuntos principais. A suposta alusão de Marta quanto à sexualidade de Kassab também é motivo de brincadeiras. Dia de sol, deve ser isso. Lua cheia. E a crise que se vá e não volte!

Cantando baladinhas dos anos 80/90, todos viram meu ânimo e meu "conhecimento de causa". Afinal de contas, fui testemunha ocular do "crime". Acompanhei o Rock in Rio 85 e vi Paralamas do Sucesso e Barão Vermelho nascerem naquela reedição tropicalizada de Woodstock. Tive até o inesquecível adesivo azul: Rock in Rio 85 , Eu Fui (apesar de nunca ter ido).

No meio da cantoria e da "baderna", uma estagiária (de no máximo 22 anos), me perguntou, com um tom de voz curioso:

- Você foi num show do Cazuza?
(como se fosse um feito inédito, um acontecimento!)

Putz, me senti velho pra caramba, uma peça de museu, já que sou o mais velho desta turma. Tem só um colega "velhinho" de 33 anos. De resto, todos abaixo dos 30.

A ficha caiu, mas serviu para me mostar que ainda canto com o mesmo entusiasmo dos 20 e que a proximidade dos 40 está longe de ser sentida!

Friday, October 10, 2008

Não se preocupem, o Bush resolve!

Como se a crise não fosse consequencia de sua desastrosa política econômica, Bush declarou com muita convicção uma coisa que ninguém sabia:

- "O pacote não vai resolver a crise, mas vai ajudar".

Com uma declaração desta, não é de se estranhar que ele tenha "deixado" a crise chegar a este ponto.

GOD BLESS AMERICA!

"Escrever é escutar o ruído do mundo"

Contrariando as expectativas que apontavam para escritores consagrados como o peruano Mario Vargas Llosa ou o israelense Amós Oz, a Academia Sueca concedeu o Prêmio Nobel de Literatura de 2008 para o escritor Jean Marie Gustave Le Clézio. Pouco publicado no Brasil (apenas três obras foram traduzidas e publicadas por aqui), o francês é um dos autores mais traduzidos de seu país. Escolhido pela Academia sueca por "buscar a aventura poética e o êxtase sensual, por explorar a humanidade além e abaixo da civilização reinante", o autor francês é um viajante e ativista ecológico dividindo seu tempo entre a Europa e os Estados Unidos.
Nascido na França em 1940, logo na tenra infância mudou-se para a Nigéria, onde seu pai foi médico durante a Segunda Guerra Mudial. A década que passou na África, deixou marcas por toda sua vida, sendo a paixão pelo deserto a principal delas, que lhe rendeu inspiração para seu primeiro romance de projeção internacional, "Désert", de 1980, que lhe rendeu o prêmio da Academia Francesa.
Desde a década de 70, quando decidiu abandonar os grandes centros, Le Clézio vive entre Nice e o Estado do Novo México, nos Estados Unidos. Após receber a notícia da sua escolha, o francês declarou que "escrever não é só estar sentado em sua mesa, é escutar o ruído do mundo". Por saber escutar estes ruídos, Le Clézio receberá um prêmio de US$ 1,4 milhão a ser entregue no mês de dezembro, em cerimônia na cidade de Estocolmo.

Monday, October 06, 2008

RITUAL DE PASSAGEM

Sedimentei meus valores e aprendi a acreditar naquilo que realmente me importa.
O resto é ritual de passagem.

Friday, October 03, 2008


Acaba de ser lançado o DVD do show Noites de gala, samba na rua, em que a cantora Mônica Salmaso interpreta músicas de Chico Buarque. A série de cinco shows (com ingressos já esgotados) que está sendo realizada esta semana no Teatro FECAP, no bairro da Liberdade, marca o lançamento oficial do DVD.
Ontem à noite assistimos este show, um dos melhores que já vi em toda minha vida. As gravações das 15 músicas que compõem o repertório do quinto CD da carreira da cantora fazem jus à emoção provocada pelas versões originais, não deixando qualquer rastro saudosista. Em um trabalho cuidadosamente planejado, Mônica Salmaso e o Grupo Pau Brasil, responsável pelos arranjos, cumprem a difícil tarefa de interpretar Chico Buarque, evitando a recorrente comparação com as versões originais. Com arranjos que exploram toda a riqueza da MPB e a interpretação única da cantora, as canções assumem nova personalidade sem deixar para trás seu DNA de origem. De forma brilhante, a releitura deste projeto musical deixa em patamar de igualdade as versões originiais e os arranjos atuais, não havendo disputa entre o passado e o presente. Cada versão mantém a sua força, ocupando espaços iguais para quem ama Chico Buarque.
Mônica Salmaso simplesmente arrasa quando solta sua forte voz no palco. Intérprete de múltiplas facetas, a cantora entra no espírito de cada uma das canções e transmite forte emoção ao mudar até mesmo sua fisionomia e postura corporal de acordo com a música. Graciosa e bastante à vontade no palco, samba solto tocando seu pandeiro ao interpretar Bom Tempo, da mesma forma em que franze seu rosto e assume uma fisionomia constrita na música construção. Aliás, o arranjo do Pau Brasil para Construção merece especial atenção. Uma releitura harmonicamente perfeita e totalmente inovadora que transmite como nenhuma outra gravação a intensidade desta canção. Ciranda da Bailarina, gravado originalmente por um coro infantil em 1983 para o musical O grande Circo Mistico, ganha a leveza que merecia nos acordes suaves da cantora. O ponto alto do show fica por conta da tocante interpretação de Beatriz, um duo com o pianista Nelson Ayres (responsável pela revelação de Mônica no início de sua carreira) que, segundo Teco Cardoso, marido da cantora, levou o público às lágrimas em todos os shows da Turnê.
Com uma produção impecável, desde a qualidade do som até o sensível trabalho de iluminação que nos leva ao clima das musicas, o show é simplesmente fantástico. Uma demonstração do profissionalismo que mantém, merecidamente, Mônica Salmaso entre os nomes da MPB com maior projeção no exterior.

RETRATO EM BRANCO E PRETO

"Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto"
Chico Buarque de Holanda
Durante uma das muitas entrevistas que concedeu em sua vida Chico Buarque deparou-se com uma situação inusitada. A repórter, provavelmente uma novata querendo impressionar, fez uma pergunta "inteligente":
- Chico, por quê na sua música Retrato em Branco e Preto, você diz branco e preto? Todo mundo diz foto "PB", o certo não seria retrato em preto e branco?
Com seu conhecido senso de humor, Chico prontamente respondeu:
- É que eu achei melhor a rima "vou colecionar mais um soneto, fazer um retrato em branco e preto" do que dizer vou colecionar mais um TAMANCO, fazer um retrato em preto e branco.
PS: Esta história foi contata pela cantora Mônica Salmaso em seu show Noites de gala, samba na rua e não hesitei em reproduzí-la.

Thursday, October 02, 2008

MEU AVÔ LUDOVICENCE

Adoro aprender. Mas, quando aprendo algo novo, ao mesmo tempo em que fico feliz por ter aumentado minha bagagem cultural, sinto-me ignorante por não ter sabido de algo que já poderia ter aprendido. Principalmente quando trata-se de algo simples como o que hoje aprendi, durante o almoço, conversando com o diretor de uma empresa que tem uma de suas filiais em São Luís do Maranhão.
Desde pequeno tenho enorme fascinação por esta cidade. Meu tio, Orígenes Lessa, publicou um de seus mais famosos romances, Rua do Sol, baseando-se em sua infância em São Luís do Maranhão. Meu avô materno carregou a vida inteira o sobrenome Maranhense, justamente por haver nascido em solo maranhense. Seu nome não era dos mais fáceis, Zwinglio, que, somado ao sobrenome Maranhense, causou-lhe poucas e boas confusões na vida. Enfim, maranhense não só no mome, mas também de coração, cresci ouvindo de meu avô as histórias da sua São Luis do Maranhão. Lembro-me de uma viagem que ele fez com minha avó, quando eu era pequeno, trazendo de lá não só histórias românticas como as mais lindas fotos dos antigos casarões de seu centro histórico.
Desde então nutro por São Luis uma paixão platônica, alimentando o sonho de pisar em solo maranhense. E por isso, toda vez que se fala em maranhão, esqueço-me da miséria que assola aquela terra onde ainda impera o coronelismo, e viajo até a cidade onde a pobreza inspira a poesia da vida. Esqueço-me dos Sarney e entro "em alfa", conectando-me com a São Luis da Rua do Sol 104, número da casa onde cresceu meu avô naquela cidade.
Vagando por minhas memórias enquanto a conversa fluia, "acordei" quando nosso interlocutor soltou a seguinte pérola: "assim são os ludovicences". Imediatamente indaguei o significado desta palavra, até então, totalmente desconhecida para mim. Qual não foi a minha surpresa quando ele respondeu que ludovicence é quem nasce em São Luis do Maranhão. Puxa vida, tive um avô ludovicence. E eu não sabia. Imaginem se seu nome tivesse sido Zwinglio Ludovicence ao invés de Zwinglio Maranhense?

Wednesday, October 01, 2008

RESPOSTA A UM TELEFONEMA

Onze horas da manhã. Meio de expediente. Leio meus e-mails, formato minhas propostas comerciais, verifico minha lista de pendências. Toca o telefone. Um cliente, penso eu, atendendo prontamente no segundo toque. Surpreso, ouço a voz de nosso Presidente da República.

Apenas por curiosidade, desconsiderando a invasão à minha privacidade e o fato de eu não votar no PT, escutei a mensagem até o fim. Com seu sotaque inconfundível, Lula pedia meu voto para Marta Suplicy alegando que daria todo apoio à nova Prefeita e que a parceria de São Paulo com Brasília será a melhor solução para nossa cidade. A gravação durou cerca de um minuto e meio e o Presidente foi muito enfático em sua retórica eleitoreira. Por respeito à nossa maior autoridade executiva (que se dignou a fazer telemarketing político), não bati o telefone em sua cara. Mas se, ao final da gravação, eu tivesse tido a oportunidade de falar com ele, teria feito apenas duas perguntas:

- Senhor Presidente, Vossa Excelência já pensou que seu cargo lhe exige imparcialidade na administração dos recursos públicos?


- Senhor Presidente, levando-se em consideração esta promessa de campanha, devo eu assumir que os municípios administrados pelo seu partido serão favorecidos por seu Governo?

A minha resposta será dada nas urnas.

Tuesday, September 30, 2008

ÊTA BRASIL

O Brasil é mesmo um país cuja mentalidade cartorária está enraigada em nossas instituições. Na semana passada, no Aeroporto Santos Dumont, tive uma nítida demonstração de como este espírito atrasa a nossa vida.
Após fazer o check-in no balcão da companhia aérea dirigi-me à área externa do aeroporto para tomar um ar e ver o movimento dos táxis ao invés de ficar vendo lojas. Abrindo a minha mochila de mão, passei pela porta rotatória e coloquei os pés na calçada. Imediatamente fui abordado por um simpático engraxate que, estendendo sua mão, perguntou:
- Isqueiro, comandante?
Apesar de não ter aberto minha mochila para pegar um maço de cigarros, sua atitude chamou-me a atenção. Como marquetiro estou sempre atento a qualquer atitude que seja vendedora de um serviço. O engraxate não me ofereceu diretamente seu serviço, mas estabeleu um contato com seu cliente e foi muito eficaz em sua abordagem. Diante de minha resposta negativa ele "liquidou a fatura":
- É, fumar faz mal, bom mesmo é engraxar os sapatos. Quer dar um lustro no sapato, comandante?
Tocado pela típica "malandragem carioca", aceitei a proposta e comecei a conversar com o rapaz. Fiquei impressionado com o fato de ele ter se sentado de cócoras para engraxar meus sapatos. Não havia infra-estrutura nenhuma para que ele e mais dois colegas trabalhassem. Simplesmente ficavam ali na calçada abordando os passageiros e oferecendo seus serviços. Perguntei porque eles não colocavam umas cadeiras para trabalhar. Quis também saber porque eles trabalhavam na calçada e não no saguão da nova ala do Aeroporto, tão espaçosa. Sua resposta deixou-me ao mesmo tempo assombrado e revoltado.
- Sabe o que é, comandante? A INFRAERO quer cobrar um aluguel de oito mil reais por mês para colocarmos três cadeiras ali no saguão. A gente "tentamos" negociar com os "home" mas eles são duro na queda. Não abaixam um tostão. Se fosse até uns mil e quinhentos, a gente aguentava.
Façam as contas comigo. Um sapato é engraxado por cinco reais. Para pagar o aluguel pedido pela INFRAERO os três engraxates precisariam engraxar 1600 pares de sapato em um mês. O que significa que cada um deles deveria engraxar aproximadamente 533 pares por mês. Trabalhando 30 dias por mês, cada um deveria conseguir 17 serviços por dia, mais de um par por hora. Se trabalhassem 26 dias por mês, com descanso somente aos domingos, este número subiria para 21 pares por dia, o que significa quase dois pares de sapato por hora, trabalhando doze horas por dia. E o lucro, de onde viria?
Os números são descabidos e mostram o arbitrarismo sobre a administração do patrimônio público que há séculos nos atrasa o desenvolvimento. Não houvesse esta taxa de aluguel absurda e a INFRAERO aceitasse a contra-proposta dos engraxates, os rapazes poderiam trabalhar de forma digna e honesta, ganhando seu dinheiro e sustentando suas famílias.
Ao invés de estimular a livre iniciativa, a INFRAERO impõe uma barreira ao trabalho honesto utilizando abusivamente o poder e o controle sobre o espaço público. Mesmo tantos séculos depois da colonização, a cultura das Capitanias Hereditárias continua presente em nossa administração pública, impedindo nosso desenvolvimento social.
ÊTA BRASIL...

Friday, September 19, 2008

CIDADE LIMPA?

Com a Lei Cidade Limpa a campanha elitoral deixou de poluir as nossas ruas e avenidas. SERÁ?

Vejam as fotos abaixo tiradas pela Rosana de dentro do seu carro. Segundo ela, uma carreta de propaganda eleitoral simplesmente inédita e inusitada, como mostram as fotos.

Em cima da carreta, puxada por um carro, dois animais domésticos, porém em tamanho ridiculamente chamativo: um cachorro e um gato. Placas no carro diziam:

Vereador Aurélio Miguel o amigo de todos nós, em defesa de todos nós.

Além do slogan "originalíssimo", a pergunta que não quer calar é: SERÁ QUE É PARA VOTAR NO GATO, NO CACHORRO OU NO AURÉLIO?

É inegável que chama a atenção de quem está nas ruas, mas, por favor, "seu marketeiro", haja mal gosto!!!!





Thursday, September 18, 2008

fonte: blog do Juca Kfouri

Wednesday, September 17, 2008

ADEUS AO FUTEBOL ROMÂNTICO

Nasci em 1970. Ano do inesquecível Tri-campeonato mundial conquistado no México. Auge da Era Pelé. Meu pai, apaixonado por futebol e por esportes, ensinou-me desde cedo a gostar do futebol. Lembro-me da Copa de 74 e do primeiro título brasileiro do São Paulo em 1977. Lembro-me da angústia e tristeza que vivi com a derrota de 1982, para mim, a mesma de quem viveu o "maracanaço" de 1950.
Quando pequeno não podia ver uma bola que saía correndo atrás (aliás, apesar da idade, ainda hoje tenho esta mesma vontade). Quando adolescente tinha em minha casa um campinho de futebol para jogar com os amigos. Todo dia era bola na rede. Apesar de nunca ter sido um craque e nunca ter me destacado, o futebol sempre me acompanhou. E com ele, a paixão herdada de meu pai, compartilhada com meus primos mais velhos, estes, verdadeiros craques do futebol amador.
Cresci assistindo jogos pela TV todos os domingos, frequentando o Pacaembu e o Morumbi, , gritando pelo meu querido tricolor, escutando a resposta das torcidas adversárias, aprendendo a ganhar e a perder em tempos de não violência nos estadios. Via de perto e de longe o gramado, colecionava camisa dos meus jogadores preferidos, jogava futebol de botão. Sempre com a mesma paixão daqueles via em campo defendendo com garra e espírito esportivo as cores do seu brasão e da sua camisa.
Mas tudo isso foi perdendo o sentido à medida em que o futebol foi virando indústria e o marketing esportivo foi destruindo a essência do esporte bretão. Ontem assisiti a uma palestra do Pepe, ponta-esquerda do mágico time do Santos da década de 60, esse, sim um verdadeiro time dos sonhos. Em uma conversa gostosa e cheia de "causos", Pepe trouxe de volta o romantismo da era "Era Pelé" e do Brasil das 3 Copas. Histórias que povoaram minha infância e que fizeram parte da minha formação. No "bate-bola" de ontem, uma das passagens que mais me chamou a atenção foi quando ele disse que durante a concentração da Copa de 58, não se discutia prêmio ou dinheiro à medida em que o Brasil avançava e aumentava suas chances de ganhar a Copa. Segundo o eterno ponta-esquerda santista, o pensamento da comissão técnica era bastante claro: nós viemos aqui para ganhar a Copa, dinheiro a gente pensa depois.
Inspirado por este pensamento, depois da palestra, em uma sessão de perguntas e repostas, perguntei ao Pepe se ele achava possível termos novamente este espírito em nossos jogadores. Cético e, aparentemente sem muita esperança, ele respondeu dizendo que o erro está já no inicio da carreira dos juvenis que, aos 12 ou 14 anos, já têm empresários e procuradores para cuidar de suas carreiras. Disse ele que as próprias famílias já encaram seus filhos como fonte de renda e que, ao menor sinal de talento, já começam a procurar quem possa promover a carreira do filho.
A resposta do maior ponta esquerda de todos os tempos deixou-me "acachapado" , porém não decepcionado. Na verdade, ao perceber que os pés dos futuros jogares são mesmo "pés-de-meia" e não "pés-de-chuteira", dei ontem adeus ao futebol romântico que tanto aprendi a amar.

SEM TÍTULO PORQUE AINDA NÃO APRENDI A NOMEAR O QUE SINTO


Não ando com os pés no chão

e questiono o convencional.


Enfrentando diariamente o espelho

não me perco de meus ideais.


E vivo intensamente

a busca e o confrontamento.

BEATRIZ

"Sim, me leva para sempre Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Pra sempre é sempre por um triz
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz"

Chico Buarque / Edu Lobo

Thursday, September 11, 2008

AUTO AFIRMAÇÃO DIÁRIA

Não vendo “minha alma ao diabo” em prol de valores dos quais não abro mão: Liberdade, independência e idealismo.

Eu queria viver em outro mundo. Menos cruel, menos seco, menos frio e menos impessoal. Um mundo ideal onde as artes e o amor comandassem. Não o dinheiro, que injustamente classifica, ordena e exclui as pessoas em classes.

Não quero reviver nenhuma revolução, quero apenas viver o meu ideal.

"A arte não reproduz o que vemos. Ela nos faz ver". (Paul Klee)

MANCHETE QUE NUNCA FOI PUBLICADA

Não podia ser diferente. Na mesa de um bar, na noite de 10 de setembro, a conversa acabou caindo no fatídico 11 de setembro de 2001. No meio da prosa um ex-editor do Notícias Populares dá a manchete que nunca foi publicada:

TURCO MALUCO EXPLODE A AMÉRICA.

Se em 12 de setembro de 2001 o jornal Noticias Populares fosse às bancas com esta manchete, certamente, em poucas horas, seus exemplares se esgotariam.


Segredos de quem viveu "de criar" manchetes por anos a fio.

HISTÓRIA DE BOTECO

Conheci ontem um dos editores do extinto jornal Notícias Populares (NP) que lá trabalhou nos anos 80 e 90. Em uma animada conversa sobre os casos que viveu naquele ambiente único e incomparável a qualquer outra redação, uma história chamou-me a atenção.
Contou ele que, certa vez, logo após o almoço, uma personalidade pública, homem de muita projeção na mídia, entrou irado na redação e praticamente arrombou a porta de sua sala. Eram meados dos anos 80 e a AIDS, uma assustadora novidade. Obviamente, para um jornal como o Notícias Populares, a cobertura de casos da doença era um "prato cheio".
Sem pedir licença, bufando de ódio e, totalmente irado, o homem olhou para o editor e gritou?
- O que vocês têm contra homossexuais como eu? Por que essa perseguição toda?
Sem acreditar em quem estava à sua frente fazendo tamanha "confissão", totalmente surpreso e quase sem ação, o editor respondeu:
- Nada. Desde que o senhor seja feliz...
Fundado em 1963 por Herbert Levy o NP nasceu com propósitos políticos: era a esperança da União Democrática Nacional (UDN), de Levy e Carlos Lacerda, para conter a influência popular da Última Hora, criada por Samuel Wainer e historicamente ligada a Getúlio Vargas. Durante seus quse trinta anos de existência, o controverso jornal ocupou um espaço inquestionavel nas bancas e taxis de São Paulo, sempre com uma manchete vendora, segundo o ex-editor, um dos segredos que se tornou a marca registrada deste "folclórico" jornal.
Com o lançamento do jornal Agora (em 1999) o NP foi perdendo espaço no mercado e, consequentemente, anunciantes, que migraram para o novo jornal que estava sendo lançado para ocupar seu mesmo nicho, porém com um novo projeto editorial e gráfico. Com a saída das grandes campanhas publicitárias que sempre haviam mantido o jornal e, portanto, sem dinheiro para melhorar sua estrutura ou mesmo mantê-la, o Notícias Populares experimentou um negro período de ostracismo por dois anos até a circulação da sua última edição em janeiro de 2001.
PS: "se non é vero, é bene trovatto"

Tuesday, September 09, 2008

ESPELHO... ESPELHO... MEU

Isso é que eu chamo de um "espelhinho de verdade"!

Dirigindo na Rua Estados Unidos, não acreditei no que vi: esta Kombi com um pequeno espelho (desses que se compra em camelô) amarrado no retrovisor lateral.

Morrendo de rir, chamei a atenção de meu colega de trabalho que tirou, com seu celular, esta foto.

Esse é, com certeza, um cara de visão.

PÁSSARO NA VIDA

Eu sou um pássaro
Que vivo avoando
Vivo avoando
Sem nunca mais parar

Ai Ai! Ai Ai! Saudade
Não venha me matar

RELACIONAMENTO EM RISCO

Recebi em minha casa uma caríssima peça de marketing direto da VIVO: uma embalagem em papel de alta gramatura com um "mock-up" de um I-Phone dentro. Além da miniatura em papel do aparelho, um folheto com instruções para que eu fizesse até o dia 15 de setembro a reserva online de meu I-Phone. Segundo a mala direta, se fizesse a reserva, estaria entre os primeiros privilegiados a ter o I-Phone da VIVO.
Como profissional de marketing, muito mais curioso para saber o preço e condições desta promoção do que interessado em reservar o aparelho, segui as instruções do folheto e acessei www.vivo.com.br/vivoonline. O resultado foi catastrófico! Não havia nenhuma indicação especial, seja simples, ou em destaque (como deveria estar), para que eu reservasse meu "desejado I-Phone". Naveguei pela página por cinco minutos até perder a paciência e deixar de lado a promoção.
Inconformado, porém, com a falta de capacidade para fazer uma promoção casada (mala direta / portal) de uma empresa deste porte, três dias depois voltei a acessar o tal endereço e insisti para ver se conseguia fazer o cadastro. Sem saber o que fazer, dada a falta de orientação para navegação, resolvi cadastar-me no atendimento vivo on line no qual eu ainda não estava cadastrado e era a primeira coisa que aparecia em destaque na tela. Obviamente não tinha senha de acesso. Após fazer o cadastro recebi, via SMS, uma senha em meu celular. Acessei então o serviço de atendimento on line, trocando a minha senha. Em meu segundo acesso ao portal, vários minutos de paciência depois, EURECA: consegui visualizar um banner com a tal chamada para a reserva. Mais um clique e finalmente pude ver o formulário de cadastro que não tinha nada além de espaços para preenchimento de meus dados. Não havia nenhum desconto ou mesmo benefício em termos de pontuação no meu programa de fidelidade para que eu reservasse meu "desejado I-Phone".
Esta cruzada em busca do meu I-Phone Vivo é um exemplo de como NÃO se fazer marketing. Por vários motivos. Em primeiro lugar porque não há nenhum destaque para a ação promocional no portal, dificultando, e quase impossibilitando, a continuidade da navegação para quem acessa o endereço sugerido pela VIVO em sua mala direta. Em segundo lugar porque, já que é necessário cadastrar-se no vivoonline, a empresa tomou por pressuposto que todos os clientes que receberam a peça eram cadastrados no serviço de atendimento online. Como mostra o meu caso, erraram, esquecendo-se que nem todo cliente está cadastrado no vivionline. Logo, deveriam, na própria mala direta, colocar algum aviso em destaque ressaltando: se você ainda não se cadastrou no serviço vivoonline, por favor cadastre-se ; sua reserva só poderá ser feita mediante cadastro no vivoonline. Por último uma lição de como não diferenciar seus clientes, mesmo que a intenção seja tratá-los de forma diferenciada: se a mala direta é destinada a quem tem alguma preferência pela empresa, o fato de não se oferecer nenhum incentivo extra não gera qualquer motivação para que a reserva seja feita. Que privilégio ou diferença tem o cliente que recebe esta mala direta, faz sua reserva e adquire o I-Phone "em primeira mão", versus o cliente "comum" que adquire o aparelho poucos meses depois?
Na realidade, uma ação desta de lançamento, nos incentiva a esperar o preço baixar para comprar perto do Natal em excelentes condições promocionais. Não houve qualquer preocupação do marketing em oferecer benefícios para quem comprasse logo no lançamento. Alguém pode aventar a hipótese de que o produto é tão desejado que não será preciso promoção para a compra já que, como no caso de alguns carros, haverá "fila de espera" para adquirí-lo. Seguindo nesta mesma linha de raciocínio, pode-se pensar que a operadora ofereceu um privilégio a seus clientes especiais evitando que eles fiquem na "fila de espera". Esta linha de raciocínio pode ate ser aceita, porém acredito que, neste caso, mesmo sendo esta a grande vantagem a ser recebida pelo cliente, deveria haver uma demonstração de reciprocidade e reconhecimento, nem que fosse, por exemplo, desconto nos ingressos das peças encenadas no Teatro VIVO.
Com este lançamento a VIVO está se movendo e investindo em uma ação de relacionamento com seus clientes. Pena que, desta forma, ao invés de reforçar a identidade com a marca, ela coloque em risco o relacionamento com a própria empresa.